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Ponto de Leituras

Ponto de Leituras

Opinião de Joaquim Jorge Silva.

A crónica de hoje alimenta-se do encontro de Sábado último, dia 25 de Março, altura em que a Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Maia começou a debruçar-se sobre o escritor Sérgio Luís de Carvalho, neste caso em concreto sobre o seu romance “A última noite em Lisboa” (Clube de Autor, 2014). Um outro livro do autor irá ser ainda discutido pela Comunidade de Leitores com o título de “O destino do capitão Blanc” (Planeta, 2009), a anteceder a visita do autor agendada para o dia 8 de Abril. 
O livro que ocupou os leitores na tarde de Sábado último, escrito num tom realista, numa escrita simples e clara, coloquial, próxima do dia-a-dia, salpicada com ironia e algum sarcasmo. Este livro inscreve-se numa linhagem de ficção de pendor histórico, cara ao autor.
 Segunda Guerra Mundial é o pano de fundo que contextualiza a narrativa, em especial nas suas ressonâncias nacionais. Lisboa era por aquela altura uma cidade ‘confusa’ uma vez que a ela confluíam toda uma plêiade de actores sobretudo estrangeiros que, beneficiando do estatuto neutral do país vinham com as mais variadas motivações: espionagem, refúgio ou exílio, emprestando um colorido à cidade inusual e contrastante com o cinzentismo, provincianismo e pobreza lusos dominantes. No fundo, um clima de forte tristeza. 
A cidade de Lisboa, é de resto, protagonista de corpo inteiro deste livro, de tal forma é impactante o seu vívido retrato. É nesta Lisboa agitada, aberta às permeabilidades e trocas culturais trazidas pelas gentes que a ela arribam, que as três personagens principais da obra se movimentam e dão corpo à intriga. 
Henrique, jovem imaturo, letrado e em formação, vive dividido entre dois mundos: o de influência nazi no trabalho na revista ‘Esfera’ e o mundo livre de influência esquerda nas suas referências anglófilas, literárias e cinéfilas). No final do livro encontramos um outro Henrique, mais maduro, com opções políticas e morais perfeitamente adquiridas. 
Henrique é vizinho involuntário de Charlotte, refugiada austríaca, espia na capital portuguesa e em parte responsável pelo crescimento e evolução de Henrique, influência que alargará, igualmente, à namorada de Henrique, Maria Carolina. a dimensão enigmática chega-nos via Charlotte. Charlotte, na voz dos leitores, a luz da história, é o elemento estrangeiro desestabilizador da pacata rotina de Henrique e Maria Carolina. Esta funciona como uma metáfora de Portugal.
Em eco encontramos frequentemente a presença de Espanha, sobretudo da sua guerra civil vivida entre 1936 e 1939, cujas feridas e consequências estão frescas considerando a datas dos acontecimentos narrados no texto. 
Em espelho da intriga temos o filme “Casablanca” e os ecos da sua história, que acaba por dar um colorido muito singular ao texto. Amizade, amor, espionagem e solidariedade são alguns dos temas que podemos encontrar neste romance de Sérgio Luís de Carvalho. Um livro cuja leitura se recomenda e que nos reenvia, de forma sedutora, para um outro tempo, para um outro país que, afinal, é bem capaz de ser ainda o mesmo, mas caberá aos leitores discernir o sentido.
10-Apr-2017 às 13:01, Ana Sofia Silva

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