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Viagem de Finalistas vivida na primeira pessoa por duas maiatas

Viagem de Finalistas vivida na primeira pessoa por duas maiatas

Contrataram o serviço de um hotel de quatro estrelas e chegaram a dormir quatro num T1 com duas camas improvisadas. Jovens queixam-se da qualidade de serviço não compatível com as estrelas do hotel. Acusações de «selvagens» e «animais» à nacionalidad

Inês Areal, de 17 anos, aluna do 12º ano da Escola Secundária da Maia, e Alexandra Paiva, de 18 anos e a frequentar o mesmo ano da Escola Secundária do Castêlo da Maia, são duas das pelo menos cerca de uma centena de maiatos que foram de férias para Playa de los Álamos, em Torremolinos, Espanha.
Contactadas pelo MaiaHoje, disponibilizaram-se para responder a algumas questões sobre o que viveram na primeira pessoa.
Ambas viajaram através da agência “SlideIn”, tendo pago cerca de 500 euros pelas ansiadas férias que marcam o final de um ciclo na sua carreira académica «O operador turístico foi impecável connosco, sempre a tentar ajudar e a proporcionar a melhor semana das nossas vidas», referiu Inês, tendo Alexandra opinião semelhante «A “SlideIn” foi uma agência incansável e, mesmo com todos os contratempos impostos pelo hotel e pela fraca correspondência ao contrato feito por parte do mesmo, fez de tudo para proporcionar aos finalistas uma semana inesquecível e foram sempre focos de apoio, de informação e de segurança para mim, para os meus colegas e restantes participantes da viagem», testemunharam.

 

Hotel 4 estrelas de 119 apartamentos 

Previamente foi-lhes efetuado um seguro, que desconhecemos quais as coberturas, bem como uma caução obrigatória de 50 euros.
As alunas ficaram instaladas no “Hotel Pueblo Camino Real”, uma unidade hoteleira de «quatro estrelas», com 132 quartos duplos, 14 individuais, 119 apartamentos de 1 quarto e 70 estúdios, anunciando ainda no site, em letras garrafais «Tudo Incluído», em cuja descrição oferece o menu com o mesmo nome «entre as 10 e as 12 e as 16-18 horas, café, chá, cacau, bolos e pastelaria; das 11 às 23 horas, café, chá, cacau, batidos, refrescos, cocktails, gelados de menu, cervejas, vinhos e bebidas de grau elevado de marcas locais, frutos secos e azeitonas», prometendo, caso o cliente deseje algo mais que não esteja no menu, que apenas faturará 50% do seu preço.

 

Duas camas e dois sofás para quatro pessoas 

As estudantes tiveram experiências diferentes, enquanto Inês «só dívida o quarto com uma pessoa, e havia uma cama para cada uma de nós», Alexandra «dividia o quarto com mais três pessoas, sendo que existiam duas camas e dois sofás cama».

 

Limpeza deficiente, de dois em dois dias

Ambas referiram haver serviço de limpeza «supostamente todos os dias com mudança de toalha dia sim, dia não. Não foi isso que aconteceu. Não gostei do serviço de limpeza. Não cumpriram os requisitos básicos. Só mudaram a toalha uma vez durante os 7 dias. E entravam nos quartos sem autorização», diz a aluna da Secundária da Maia. Já a finalista do Castêlo referiu a existência do mesmo, mas «escasso e de pouco desempenho. Ou seja, só nos trocaram as toalhas duas vezes durante a semana inteira e só porque tivemos mesmo de exigir, pois se não o tivéssemos feito, apenas as trocariam uma vez em 7 dia», acrescentando que «não é aceitável que um hotel de quatro estrelas apenas troque as toalhas de um quarto com quatro hóspedes uma vez numa semana. As senhoras da limpeza passavam nos quartos entre as 9 e as 10 horas, apanhando, na maioria das vezes, os finalistas nas suas primeiras horas de sono, desistindo, então, de procederem à limpeza dos quartos. Abriam a porta sem bater antes e invadiam o quarto, quando viam que estávamos a dormir, saiam e só voltavam dois dias depois (serviço de limpeza dia sim, dia não). Durante a semana apenas me fizeram a cama uma vez, sendo que nem aí me trocaram os lençóis, razão desconhecida», disse.
No final, referiram que ambos os quartos estavam «em perfeitas condições, não houve trocas de sítios das mobílias ou objetos de decoração, sem nada estragado, tudo conforme nos foi entregue», garantiram, afirmando que mesmo assim lhes foi cobrado o dinheiro da caução, acrescentando que «muitos colegas que não tinham acesso à água quente e a falta de limpeza era comum em todos os quartos».

 

Danos de monta em apenas um quarto

Quanto a alegados danos em outros quartos ou em partes comuns do hotel, Alexandra Paiva referiu ter visto e ter tido conhecimento de «movimentações de adornos de decoração, que foram repostos no sítio mais tarde e sem danos, de um sofá que foi colocado pelos finalistas no elevador e de riscos (frases e desenhos) feitos em paredes com marcadores. Num dos quartos, conforme se vê numa imagem televisiva, os candeeiros foram puxados, as cortinas foram queimadas e um colchão atirado pela janela».

 

Bebidas alcoólicas só para maiores

Questionadas pelo MaiaHoje se seria possível ser servido de bebidas alcoólicas sem lhe pedir identificação e como funcionava, ambas disseram que «não pediam identificação. Os estudantes possuíam uma pulseira que os distinguia de serem maiores ou menores de idade. A pulseira dourada era para os menores, a pulseira vermelha era para os maiores. Era através das pulseiras que o bar funcionava quando se solicitavam bebidas alcoólicas».

 

Refeições sem qualidade

Quanto às refeições, «eram constituídas por pequeno almoço, almoço, lanche e jantar. O almoço e jantar eram repetitivos, tudo à base de fritos e muita massa, não tivemos direito a sopa, nem a um prato de peixe. Não posso falar muito do pequeno almoço porque só fui uma única vez. Quanto ao lanche, havia iogurtes, bolachas e fruta», acrescentando Alexandra que «os snacks que, supostamente, deveriam durar a tarde toda e ser ilimitados, devido ao regime de tudo incluído, foram-nos cortados nas horas e nas quantidades, tendo perdido gradualmente qualidade».

 

Insultos e xenofobia

Os portugueses têm lido na comunicação social algumas reclamações sobre o pessoal, em particular acerca do diretor do hotel, tendo Inês dito que pessoalmente não teve problemas com ninguém, mas já lhe tinha sido relatado que «o diretor foi agressivo, malcriado e que se recusou a dar o livro de reclamações aos estudantes». Alexandra vai mais longe nas críticas «o diretor do hotel não nos deixava estar na área da receção, mandava-nos calar, falar mais baixo, insultou-nos de “animais”, “selvagens” e manteve a arrogância presente nos seus comentários perante nós e perante os representantes da “SlideIn”.

 

Incumprimento de contrato

Na sexta feira, quando fiz o “check-out” (o pack da minha viagem era de apenas cinco noites), o dono do hotel chamou a polícia e fomos postos na rua à espera do autocarro, durante mais de uma hora, sem motivo aparente», lembrando que «logo no segundo dia, depois de desacatos, o diretor cortou o bar aberto aos finalistas e nos dias seguintes já só tínhamos direito a uma bebida, longe do serviço contratado.

 

Recusa de livro de reclamações e falta de higiene

No último dia foi requisitado o livro de reclamações ao hotel, sendo este negado. Os finalistas pretendiam escrever sobre a atitude do diretor para com eles, a falta de compatibilidade com o contrato feito (falhas também nas atuações dos artistas convidados, a falta de higiene por parte das funcionárias e a existência de insetos rastejantes nos quartos, desde formigas, em exército, a baratas. Corte de água quente nos quartos de alguns alunos). Este direito foi negado inicialmente. Após a ameaça de chamar as autoridades para fazer valer os nossos direitos, lá conseguimos escrever no livro de reclamações, no entanto de nada valeu, o diretor do hotel rasgou as folhas onde os finalistas escreveram. Em suma, as restrições tomadas e feitas por este senhor perante danos pouco avultados foram descabidas e fugiram ao contrato estabelecido e os insultos feitos aos adolescentes foram despropositados e desrespeitadores a um nível extremo», disse Alexandra.

 

“Paga o justo pelo pecador”

Inês Areal, a terminar disse que «gostava de acrescentar alguns aspetos que me incomodaram na estadia. Proibiram o consumo de bebidas alcoólicas a todos os estudantes por um erro por parte de alguns e que durou mais do que um dia e proibiram a atuação de alguns artistas devido “ao barulho” enquanto o hotel sabia que era uma viagem de finalistas e deu autorização para tal».

 

Cauções usadas para lucro

Alexandra Paiva, a terminar reforçou que «não fomos atendidos da melhor forma no hotel em questão. O espaço incrível que ali nos foi disponibilizado não é compatível com o serviço prestado por quem lá trabalha, muito menos pelo diretor do estabelecimento. Era uma viagem de finalistas e foi-nos apresentado um contrato que não foi respeitado por alguém que o aceitou da mesma forma que os finalistas e a agência o aceitaram. É notória a exaltação deste assunto para um fim lucrativo em exagero por parte do hotel, tendo em conta a falta de provas e de argumentos que justifiquem a indeminização que está a ser pedida no valor de 50 mil euros. A minha caução não foi entregue e mais uma vez digo, o meu quarto estava impecável e nenhum quarto pertencente ao grupo da minha escola tinha danos. Os danos podiam ter sido maiores e não o foram e, para o bem de todos, até poderiam não existir, mas existiram.

 

«Ninguém pode estragar a memória de umas férias únicas» 

A mentalidade dos portugueses é cada vez mais retrógrada e fundamentada apenas naquilo que é dito e caracterizados pelas televisões e os adolescentes são cada vez mais repreendidos, mesmo quando tentam explicar-se, arcar consequências ou mostrar os seus pontos de vista, fazendo-me perder a esperança num modo de viver e analisar a vida promissor, num presente e num futuro próximo. Mesmo com todos os percalços, foi a melhor semana da minha vida e tenho a certeza que, apesar de tudo, ninguém está arrependido por se ter aventurado nesta viagem. Não há diretor de hotel, mau funcionamento hoteleiro e comentários negativistas que nos vão estragar uma viagem tão incrível e cheia de histórias para contar com orgulho!», disse.

 

Hotel continua a negar imagens e explicações à Comunicação Social

O MaiaHoje, por diversas vezes, tentou contactar o hotel para o devido contraditório, mas conforme tem sido referido por outros órgãos de comunicação social, até à data não recebemos qualquer resposta.

 

Ana Sofia
Artur Bacelar

12-Apr-2017 às 12:11, Ana Sofia Silva

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