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Cuidados de Proximidade ... está a chegar uma nova realidade de saúde

Cuidados de Proximidade ... está a chegar uma nova realidade de saúde

Opinião de Ricardo Oliveira.

Constantino Sakellarides é um dos médicos mais respeitado no domínio da saúde pública em Portugal. A sua capacidade de pensar os problemas, de reflectir sobre soluções, de apontar falhas, mas sempre com a capacidade de desbravar um caminho, tem sido inspiradora, motivando o recurso de múltiplos governos de diferentes organizações partidárias que sempre lhe vão reconhecendo a competência e a utilidade.
Acontece que esta semana teve a oportunidade de ser entrevistado. Nessa entrevista falou do projecto onde é consultor para as politicas da saúde, abrindo um pouco o livro e levantando ligeiramente o véu do que poderão vir a ser os cuidados de saúde em Portugal num futuro muito próximo.
Introduziu um conceito novo, ou pelo menos um conceito que não tem sido muito divulgado na opinião publica. Chamou-lhe “Cuidados de Proximidade”.
Este conceito de “Cuidados de Proximidade”, passa, segundo essa mesma entrevista, por munir os Cuidados de Saúde Primários de equipamentos e de exigências de forma a prestarem um cuidado mais próximo aos seus utentes. Ou seja, o Médico de Família deverá ser capaz de fazer a triagem dos seus doentes, fazer exames complementares de diagnóstico quase na hora, ou pelo menos tão rápido como nos Serviços de Urgências dos Hospitais, e com isso facilitar a acessibilidade e o tratamento dos utentes.
Curioso, que muitas das ideias já foram aqui neste espaço de jornal discutidas e refletidas pelo que foi com especial regozijo que acolhi a “novidade”.
Mas cuidados de proximidade, não é só isso... pelo que espero, muito sinceramente, que a entrevista seja a apenas o primeiro volume do guião que Portugal precisa para revolucionar os seus cuidados.
Cuidados de proximidade é permitir internamentos no ambulatório, é permitir apoiar famílias com doentes dependentes, é dar apoio aos que padecem de doenças raras, é dar apoio aos que padecem de doença aguda incapacitante, é estar presente para tratar dolência quando esta é causadora da doença, é ser médico como um dia Hipócrates sonhou que os médicos deveriam ser.
É claro que neste momento cumprem-se, ou pelo menos tentam-se cumprir promessas eleitorais, e quando a promessa foi dar um médico de família a todos os Portugueses, os Portugueses não perceberam que estavam a perder acessibilidade, não sentiram logo a diminuição da qualidade de cuidados, porque o que se fez não foi aumentar o número de médicos, mas sim aumentar o numero de doentes por médico... Ai que frieza esta dos números, que frieza esta incapacidade de ver o que está para alem do óbvio, que frieza de não sentir o que precisa de ser sentido.Com o aumento do numero de doentes, os médicos perderam a proximidade, passaram a ter menos tempo para os afectos, deixaram de ter tempo para tratar a dolência, deixaram de ter tempo para ser... médicos. Passaram a ser técnicos de medicina, instruídos para dar uma resposta aos cuidados de saúde de um numero arrasador de doentes.Com isto tudo, a proximidade dos cuidados, está próximo daquilo que defendo, daquilo que tenho escrito e reflectido, mas tem de ser aproximada à realidade.E já agora, permitam-me, porque na maia há muito que se sabe o valor e o sucesso, mas sobretudo a grande retribuição que a proximidade das pessoas dá... que o diga o nosso presidente.
Preparemo-nos... cuidados de proximidade é uma realidade a chegar...

Médico;
 Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP; 
Mestre Eng. Biomédica FEUP,
Med.ricardofilipeoliveira@gmail.com
Www.ricardofilipeoliveira.com
Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

24-Jul-2017 às 13:34, Ana Sofia Silva

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