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Sem cidadania digital será possível o mercado único digital?

Sem cidadania digital será possível o mercado único digital?

Opinião de Victor Dias.

A Comissão Europeia presidida por Jean-Claude Junker e a União Europeia no seu todo, assumiram como um dos 10 objetivos estratégicos prioritários, a realização do mercado único digital.

 

500 milhões de consumidores

Segundo a própria Comissão Europeia (CE): - “…o Mercado Único Digital é sinónimo de acesso imediato a mais de 500 milhões de consumidores na Europa comunitária”.

Na perspetiva da CE, o mercado único digital, além de ampliar significativamente o leque de opções de escolha por parte dos consumidores, fomentará o surgimento de mais e melhores serviços digitais, alavancando por via da concorrência, a sua qualidade e exigências de segurança.

Esta vaga da digitalização da economia europeia, espera a comissão, será a aposta certa para incrementar o crescimento das micro, pequenas e médias empresas na Eu.

As expetativas dos mais otimistas, como o Senhor Junker e o nosso comissário Carlos Moedas, é que estamos diante de uma nova esfera de oportunidades que se colocam aos cidadãos europeus.

 

Não há rosas sem espinhos

É claro que as oportunidades são como as rosas, que normalmente não se apresentam sem espinhos, a menos que previamente tenham sido cuidadosamente removidos.

E neste caso os espinhos, radicam no facto da digitalização da economia, um processo em curso e completamente irreversível, poder gerar mais exclusão social, sobretudo em franjas da população infoexcluída.

Urge, como é bom de ver, que os governos dos países membros, mas também as comunidades locais, através das instituições públicas e das que são emanadas da sociedade civil, promovam a aquisição de competências digitais básicas necessárias à inclusão dos seus concidadãos nessa realidade, que é já hoje, o mercado único digital europeu.

A boa notícia, é que a nova Agenda de Competências para a Europa vem demonstrar o claro compromisso da Comissão Europeia que se declara apostada: “…em formar os seus cidadãos, os seus trabalhadores e, acima de tudo, os seus consumidores, para explorarem e usufruir do universo digital.”.

É face a esta realidade plenamente instalada, embora ainda a dar os seus primeiros passos, a Comissão tem em curso a sua estratégia para a digitalização da indústria europeia, vulgo indústria 4.0.

Creio que é hoje absolutamente imprescindível promover em todo o espaço europeu, um debate abrangente, livre de preconceitos ideológicos e de condicionamentos conjunturais, em que os cidadãos possam ver esclarecidas todas as suas dúvidas, e porque não dizer mesmo angústias.

Perante o inevitável, substantivo e significativo impacto das tecnologias digitais na inovação, no crescimento, no emprego e na competitividade, tudo parece estar posto em causa.

Como facilmente se pode perceber, não precisamos somente de formar consumidores digitalmente capacitados, que contribuam para a melhoria dos indicadores da economia digital. O que é verdadeiramente urgente e vital, é preparar as gerações que estão nos bancos da escola e as vindouras, para viverem numa sociedade digital, com vantagens ao nível da desmaterialização e descarbonização, mas que no reverso da medalha, excluirá socialmente todos os cidadãos, novos e velhos, que padecerem de iliteracia digital, condenando-os a uma dependência idêntica àquela que produziu em Portugal durante décadas, o analfabetismo.

 

5 milhões de empregos destruídos

Em Davos, falou-se à boca cheia da destruição de mais de 5 milhões de empregos, em consequência direta da revolução digital que está a mudar tudo. E quando digo tudo, é mesmo tudo. Ao ponto de os economistas políticos estarem a viver um autêntico quebra-cabeças para tentar antecipar um modelo económico que se adapte bem a uma tão avassaladora transformação económica e consequentemente social.

 Como seria de esperar, este advento da digitalização, que promete ir muito além da imaginação humana, sobretudo quando se entra no domínio da inteligência artificial, está a gerar desconfiança e muita apreensão.

Como sempre acontece quando o desconhecido e imprevisível provoca medo e, não raras vezes, até mesmo o pânico, quem age toldado pela emoção dificilmente consegue discernir com racionalidade.

 

Debate público que urge  

É preciso parar, refletir serenamente e debater esta matéria de forma livre, plural e sem preconceitos.

 É preciso um debate público que envolva cidadãos, agentes políticos e económicos e atores sociais. E é uma reflexão da opinião pública, absolutamente indispensável e urgente, que não pode ficar dependente apenas das instituições europeias ou dos governos nacionais, porque é um assunto demasiado sério que mexe com o futuro de toda a cidadania da união europeia. E assim sendo, é uma responsabilidade que a todos convoca.

Por fim não esqueçamos que a Comissão Europeia elegeu este objetivo como prioritariamente estratégico, a meu ver, precisamente porque dele, das ameaças e oportunidades que encerra, depende em larga medida o nosso futuro, o futuro da Europa.

 

Victor Dias 

07-Feb-2018 às 11:41, Ana Sofia Silva

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