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Maia é sinónimo de “Casa”. Há sempre o desejo de voltar.»

Maia é sinónimo de “Casa”. Há sempre o desejo de voltar.»

Maiato, João Carlos Gonçalves, é o novo comandante da Base Aérea de Monte Real.

 

Maiato, de Vila Nova da Telha, e filho de Pinho Gonçalves, ex-presidente de junta local, o Coronel João Gonçalves, novo comandante da Base Aérea nº 5 de Monte Real tem um currículo invejável. Desde assessor militar do presidente Cavaco Silva a instrutor de voo e piloto de F16, passando pelo Estado-Maior da União Europeia ou a Chefia do Centro de Operações Aéreas no Comando Aéreo, leva uma vida cheia que volta sempre à Maia, onde diz ter as suas «raízes». Entre as várias distinções destaca-se a Comenda da Ordem de Aviz, obtida em 2013.

No passado dia 19 de Outubro, dia em que a Base Aérea N.°5 (BA5), localizada em Monte Real, comemorou o seu 59º aniversário, o “maiato”, Coronel João Gonçalves, tomou posse como Comandante daquela importante estrutura militar, em cerimónia presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Manuel Teixeira Rolo, com a presença de inúmeras individualidades militares e civis.

 

De seu nome completo, João Carlos de Bastos Jorge Gonçalves, actualmente com o posto de Coronel Piloto Aviador, nasceu em Lisboa no dia 6 de Outubro de 1968, tendo vivido a sua infância e juventude em Vila Nova da Telha, Maia, local onde seu pai, Floriano Pinho Gonçalves foi, durante longos anos, presidente da Junta de Freguesia local.

Ingressou na Academia da Força Aérea em Agosto de 1987, onde se licenciou em Ciências Militares e Aeronáuticas, na especialidade de Piloto-Aviador, tendo sido brevetado em Agosto de 1992, na Base Aérea Nº1, Sintra.


Voar e Comandar, pelo prazer e desafio

Já com um longo currículo, tanto de aviador como de “serviço administrativo”, o MaiaHoje, em entrevista exclusiva, questionou se prefere comandar ou voar e a resposta surge algo hesitante «Voar…, voar e comandar. Voar pelo prazer, pelo estímulo e pelo desafio único que é cada voo. Comandar, pelo desafio de gerir os homens e mulheres que comando, de forma a constituírem uma equipa empenhada e altamente motivada. São duas actividades que fazem com que eu goste do que faço e quando assim é, o nosso empenho é máximo e dá os seus resultados.

 

 

O F16 é a sua “máquina”

Para um piloto aviador, falar das suas máquinas é como falar com alguém que aprecie muito automóveis. À dupla questão, qual o seu avião favorito e qual o que mais o marcou, a resposta foi clara e única «seguramente o F16. É uma aeronave muito exigente fisicamente, que nos leva ao limite e que nos desafia. Nesta aeronave não há dois voos iguais. O F16, apesar de já contar com alguns anos é uma aeronave moderna, sempre em constante actualização de software, o que faz dele, tendo em conta também outras especificações como a relação custo /benefício, o melhor do mundo na sua área». Para o futuro próximo o comandante aponta as aeronaves «furtivas, com capacidade de fugir aos radares, bem como as naves não tripuladas», como o passo seguinte a desenvolver na aeronáutica militar.

 

 

Voltava a ingressar na Academia

A carreira militar sempre foi uma opção válida para qualquer jovem português, mas João Gonçalves desde cedo que equacionava ingressar na Academia da Força Áerea e logo que se proporcionou o fez. Cerca de 31 anos volvidos, questionamos se voltava a fazer o mesmo percurso académico «sem dúvida! Curiosa a questão porque ainda há poucos dias, numa conferência, fazendo uma rectrospectiva pensei nisso e acho que o faria hoje ainda com mais fervor. É um Curso muito completo e abrangente que, face às diversificadas áreas que abrange, o torna muito útil e interessante, além das especificidades, nos conhecimentos aplicados na própria vida do dia-a-dia», transmitiu.

 

 

A Maia no coração

A terminar, conhecida que é a vida militar e as suas obrigatórias deslocações entre os destacamentos, colocamos a questão da “praxe”, para um homem de “várias terras”, mesmo à distância, o que significa ainda a Maia, a resposta foi pronta «pode, para alguns, parecer estranho, mas a Maia, para mim, significa “Casa”, onde me sinto feliz. São as minhas raízes e onde me sinto bem. Há sempre o anseio de voltar, reviver os tempos em que brincava nas ruas, sentir a evolução dos tempos. É nostálgico. Há algum tempo que não assisto a jogos de futebol, mas ainda hoje sou sócio do Pedras Rubras, é uma forma de me sentir ligado à terra onde sempre fui e sou feliz», disse a terminar o comandante na nossa entrevista.

 

O comendador João Gonçalves

Entre Setembro de 1992 e Abril de 1993 frequentou na Base Aérea Nº11, em Beja, o Curso Complementar de Pilotagem para Aviões de Combate em aeronave T-38 Talon, na Esquadra 103.

 

Em Abril desse mesmo ano é colocado na Base Aérea Nº 11, em Beja, na Esquadra 101, onde obtém a qualificação de piloto instrutor em avião TB-30 Épsilon, função que desempenha até Setembro de 1997, tendo voado mais de 1000 horas nesta aeronave. Durante este período frequentou o Curso Básico de Comando, no Instituto de Altos Estudos da Força Aérea, em Sintra.

Em Novembro de 1997 após efetuar mais um Curso Complementar de Pilotagem para Aviões de Combate, desta feita em avião Alpha-Jet, na Esquadra 103, é transferido para a Base Aérea Nº 5, em Monte Real, sendo colocado na Esquadra 201, onde desempenhou várias funções no solo, entre as quais Oficial de Segurança de Voo da Base, Chefe do Gabinete de Prevenção de Acidentes da Base e Comandante da Esquadra 201 – Falcões, tendo voado mais de 1500 horas no F-16. Adquiriu todas as qualificações em F-16A.

Neste período da sua vida operacional frequentou vários cursos enquanto piloto operacional como o Curso NATO “Tactical Leadership Programme” na Base Aérea de Florennes (Bélgica), os cursos “International Flight Safety Officer” e “Jet Engine Investigation Course” nos Estados Unidos da América, o curso “Aircraft Mishap Investigation – F-16” na Bélgica.

Participou em diversos exercícios nacionais e internacionais, destacando-se o exercício “Red Flag”, na Base Aérea de Nelis, nos Estados Unidos.

Frequentou em 2001/2002 o Curso Geral de Guerra Aérea no Instituto de Altos Estudos da Força Aérea, em Sintra.

Entre 2007 e 2009 foi colocado na Divisão de Operações do Estado-Maior da Força Aérea. Desempenhou as funções de Adjunto para os Sistemas de Armas. Fez parte do Grupo de trabalho do F-16 MLU onde participou em vários fóruns internacionais como representante da Força Aérea para o programa de modernização do F-16. Foi também responsável pelos destacamentos de Forças Aéreas estrangeiras em Portugal.

Em 2009 foi nomeado assessor para a Força Aérea da Casa Militar da Presidência da República, tendo-lhe sido atribuída, em 2013, por Cavaco Silva, o grau de Comendador, com a Comenda da Ordem de Aviz.

Entre Agosto de 2013 e Julho de 2016 foi colocado no Estado-Maior da União Europeia em Bruxelas.

Desde Agosto de 2016 até à presente data exerceu as funções de Chefe do Centro de Operações Aéreas no Comando Aéreo.

Totaliza 3000 horas de voo e da folha de serviços constam várias condecorações e Louvores.

Reside actualmente em Olho Marinho – Óbidos, é casado com Odete Gonçalves e tem dois filhos, o João Pedro e a Beatriz.

 

«Alcança Quem Não Cansa»

O Coronel João Gonçalves, no seu discurso de tomada de posse, afirmou «ter consciência dos desafios que o esperam enquanto Comandante da Base Aérea N.º 5», assumindo perante os homens e mulheres sob seu comando, saber que «todos são importantes para o “produto” da BA5, que se concretiza com cada descolagem e aterragem dos meios que lhe estão atribuídos».

Afirmou ainda que, inspirados no lema da Unidade – “Alcança Quem Não Cansa”, todos os militares e civis sob seu comando «vão trabalhar para manter o prestígio, importância e excelência da Força Aérea e da Base Aérea N.º 5», transmitiu.

 

Fotos: Força Aérea e Facebook


 

Imagens

08-Nov-2018 às 17:04, Ana Sofia Silva

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