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Qualidade sim… mas avalie-se…

Qualidade sim… mas avalie-se…

Opinião de Ricardo Oliveira.

Em Portugal assiste-se a um hábito, frequente, mas terrível de uma experimentação de diferentes modelos, que no seu âmago nunca são muito distintos do que já existe, mas que quando apresentados aparentam ser uma espécie de “última Coca-Cola do supermercado” (passo a publicidade).

A Descentralização de competências anunciadas recentemente para a educação e já sondada para a saúde parece ser mais um desses exemplos que o tempo provavelmente irá confirmar.

 Passo a explicar… Aquando da apresentação de diferentes modelos como as Parcerias Publico Privadas, ou mesmo das empresas publicas E.P.E. (como no caso dos hospitais), ou mesmo modelos como as Unidades Locais de Saúde, foram todos tidos como um avanço civilizacional e económico-social digno de relevo. Os modelos terão sido copiados, porque funcionavam bem, outros inventados porque alguém era dotado de uma luminosidade superior ao do comum dos mortais e depois instituídos.

Passadas décadas depois da sua implementação ainda não tive a oportunidade de ver (desconheço que existam), modelos de avaliação do seu custo – eficácia, pontos favoráveis ou desfavoráveis de cada modelo, ou mesmo a adaptação de cada caso a um modelo que melhor sirva cada necessidade especifica.

Esta necessidade nem sequer foi tida em conta, e nem sabemos se o contribuinte é prejudicado por estes modelos (alguma imprensa afirma que sim).

Desta forma, o meu receio é que esta descentralização possa ser uma espécie de “mais do mesmo”, mascarando as reais necessidades reformistas que o país precisa e não actuando na doença certa, mas antes controlando sintomas de forma desenfreada, errática e que no longo prazo contribuirão ainda mais para o agravamento da doença de base.

No caso da saúde em particular, os municípios terão de ter o envelope financeiro correspondente, mas mais do que isso munir-se de quadros competentes do ponto de vista técnico, humano e porque não dize-lo social. Estarão os municípios a lidar com uma complexidade distinta da que lidaram até ao momento…. Espero, isso sim, que haja humildade para compreender as falhas e contactar quadros que sirvam para melhorar, para ajudar… Caso contrário mais vale deixar como está…

A terminar uma noticia que me entristece pela forma como ridiculariza a importância do nosso SNS. O ministério impõe um crescimento na despesa em saúde de cerca mais 0.1% do PIB neste orçamento de estado. Significa isto dizer que ainda nos vamos afastar mais das médias de investimentos dos nossos congéneres europeus… Como já escrevi… não há omeletes sem ovos… logo não se pode esperar excelência quando não se reconhece a excelência que temos.

Todos queremos instituir qualidade… então avalie-se e actue-se em conformidade!

16-Nov-2018 às 15:16, Ana Sofia Silva

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