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Será este o princípio do fim do SNS?

Será este o princípio do fim do SNS?

Opinião de Ricardo Oliveira e Isabel Carvalho.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vive tempos conturbados. Já todos perceberam que urge reformar, renovar e, até porque não dizê-lo, reinventar.

Para tal foram criados grupos para reformular a lei de bases da saúde e desde então sucedem-se propostas de propostas com maior ou menor impacto.

A pressão sobre os profissionais de saúde tem sido enorme, solicitando-os a fazer consecutivamente, mais com menos. Tenta-se fazer omeletes sem ovos e, às vezes, até sem galinhas…

A última proposta aceite teve origem num ideal do bloco de esquerda, que define como objetivo que "deixem de existir taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários e em todas as consultas e prestações de saúde que sejam prescritas por profissional de saúde e cuja origem de referenciação seja o SNS".

Antes demais, deixem-me primeiro afirmar a minha convicção sobre a concordância da gratuitidade de serviços públicos sustentáveis, não só na saúde como também nas mais diversas áreas da nossa sociedade. Isto é, se pagamos impostos, então deveremos usufruir de uma globalidade de serviço publico. No entanto, em Portugal não me parece que é isto que se sucede…Parece-me uma proposta desajustada e precipitada.

Será que alguém se deu ao trabalho de perceber quem são os principais consumidores de serviços no SNS? Pois eu dei e, bem sei que não posso generalizar, mas tendo em conta os dados que tive acesso, há um peso de recurso aos serviços de saúde maior naqueles que são isentos. Mais… vai não só aumentar a procura de exames como forma de “descanso” do doente e, se calhar, do profissional, bem como aumentar a procura de contactos indirectos para pedir algo que não se pediria noutras circunstâncias.

A memória deveria ser a nossa principal instrutora quando tentamos reformar, ou pelo menos reformular algo. Por isso, deveríamos ter aprendido que a divida quase irrecuperável do SNS se iniciou quando se alterou o beneficio das receitas comparticipadas. Desde então a despesa com medicamentos cresceu vertiginosamente…

Quais são as contra-medidas que o governo vai aplicar? Que medidas vai conceder para evitar o desgaste dos profissionais? Ou será que a leitura é tão simples como a de querer terminar com o SNS?

Orgulho-me muito do meu (nosso) SNS. Orgulho-me muito do que construímos. Orgulho-me muito quando olho para trás e vejo o que tantos fizeram em condições menos favoráveis para hoje beneficiarmos do que que beneficiámos.

Preocupam-me, acima de tudo, estas medidas populistas. Espero, sinceramente, estar redondamente enganado e que este não seja o principio do fim…

 

Ricardo Filipe Oliveira,
Médico;
Doc. Universitário UP;
Lic Neurof. UP;
Mestre Eng. Biomédica FEUP,
Med.ricardofilipeoliveira@gmail.com
www.ricardofilipeoliveira.com
Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

 

Isabel Amorim de Carvalho,
Médica Interna de Medicina Geral e Familiar;
Pós-Graduada em Geriatria.


25-Jun-2019 às 11:02, Ana Sofia Silva

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