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«Portugal tem estado à altura do desafio nas epidemias»

«Portugal tem estado à altura do desafio nas epidemias»

ENTREVISTA: Ricardo Filipe Oliveira, médico maiato, fala-nos do Corona Vírus

Chama-se Ricardo Filipe Almeida Oliveira, tem 39 anos e é um assumido “viciado” em estudos. Licenciado em Neurofisiologia, Mestre em Engenharia Biomédica, professor universitário, ainda teve tempo para se licenciar em Medicina e especializar-se em Medicina Geral e Familiar. Não satisfeito ainda adquiriu competências em Acupunctura médica, pela Ordem dos Médicos. Mas segundo o próprio, ainda queria mais umas “coisitas”, mas os filhos e a família, demoveram-no, para já, de mais demandas.

Com tudo isto, encontra ainda tempo para ser o Coordenador da Unidade de Saúde (UCSP) da Afurada, em Vila Nova de Gaia, exercer as funções de director clínico em múltiplas instituições e colectividades e ainda ver o seu nome inscrito em cartazes de vários congressos e seminários internacionais, onde empresta o seu conhecimento.

A política chegou a ser um apelo ao seu sentido de participação cívica, mas sentiu que podia ser mais útil à sociedade na Medicina que diz «abraçar com grato prazer».

Maiato por opção, reside em Silva Escura, onde tem um consultório particular bem conhecido dos locais que o procuram para tratar das suas maleitas.

Com a sua juventude e vasto currículo é a pessoa ideal para nos falar do vírus COVID19.


MaiaHoje (MH) - Vamos diretos ao assunto. Devemos estar preocupados com o Covid-19?

Ricardo Filipe Oliveira (RFO) - Devemos estar preocupados, mas não alarmados. O Covid-19 é um CoronaVírus com grande potencial de transmissibilidade, mas com uma taxa de mortalidade que embora preocupe é inferior a outras epidemias recentes, como tal, apesar de terem de haver cuidados a tomar e não descurar, como referi não é motivo para alarme social.


MH - Em termos leigos, o que é o Covid-19?

RFO - Trata-se de um nome atribuído pela Organização Mundial da Saúde, à doença provocada por uma nova estirpe de CoronaVírus (SARS-COV-2), que pode causar infeção respiratória grave como a pneumonia. Este vírus foi identificado pela primeira vez em humanos, no final de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, província de Hubei. O nome, COVID-19, resulta das palavras “Corona”, “Vírus” e “doença que surgiu em 2019”. Os CoronaVirus estão associadas ao sistema respiratório, podendo ser parecidas a uma gripe comum ou evoluir para uma doença mais grave, como pneumonia.


MH - Quais os sintomas?

RFO – Como referi, os sintomas são semelhantes aos da gripe comum, embora mais intensos, como a febre, a tosse, a falta de ar ou o cansaço. Em casos mais graves pode evoluir para pneumonia grave com insuficiência respiratória, falência renal e, como já percebemos, levar mesmo à morte.


MH - Este vírus é tratável com antibiótico?

RFO - Não, nenhum Vírus é tratado com antibiótico. Os antibióticos são sempre de prescrição médica obrigatória e para infecções bacterianas, pelo que ao tomar-se, de mote próprio um antibiótico, não se está a contribuir para o tratamento da doença, mas pelo contrário a contribuir para que o corpo fique mais indefeso a outras bactérias o que pode ser prejudicial num eventual tratamento futuro. Creio que as pessoas já têm consciência sobre os efeitos do abuso de antibióticos. O meu conselho é mesmo que apenas se tome com a devida autorização médica. O que sobrou de anterior tratamento não deve ser usado e entregue nas farmácias para uma correcta reciclagem, dado que se depositado no lixo comum, também contribui para a resistência e ineficácia em tratamentos futuros.


MH - Os seus doentes têm procurado saber informações sobre isso?

RFO - Sim vários doentes meus já me perguntaram coisas genéricas e especificas tendo sempre respondido de acordo com as orientações da DGS. É claramente uma preocupação na “ordem do dia” e habitual tema de conversa, mas não obstante a natural preocupação é sempre importante haver cidadãos conscientes e informados, principalmente em grupos de risco.


MH - Sente alguma preocupação especial nos doentes que consultou?

RFO - Os doentes procuram essencialmente perceber a gravidade desta infecção é a minha percepção pessoal e profissional sobre o assunto.


MH - Quais os cuidados básicos a ter e porquê?

RFO - Devem haver cuidados do lado dos casos, bem como do lado dos profissionais. A maior preocupação deve ser a de uma correcta e frequente higienização das mãos, e o uso de material de protecção adequado. A transmissão poderá ocorrer pela proximidade a uma pessoa com COVID-19 através de:

- Gotículas respiratórias;

- Contacto das mãos com uma superfície ou objeto infetado e se em seguida existir contacto com a boca, nariz ou olhos este contacto pode provocar infeção;

- As pessoas devem também evitar o contacto pessoal e sítios onde haja muita gente e o espaço é pouco. Os cuidados da “recente” Pandemia da Gripe “A” devem ainda estar presentes.


MH - Estou em casa, tenho febre e todos os sintomas de uma gripe. Estive, também, recentemente numa unidade de saúde. Estarei infetado?

RFO - É improvável. Só poderá ser um caso suspeito se tiver estado em contacto com alguém com doença confirmada.


MH - O que devo fazer?

RFO - Deve contactar a linha SNS24.


MH - Saio à rua. Uso máscara? Quando chegar a casa e retirar a máscara, não correrei o risco de ter acumulado o vírus na máscara? O que devo fazer?

RFO - Trata-se de um vírus muito resistente, o que o diferencia de outros Corona Vírus. Pode manter-se em superfícies até 9 dias e assim contaminar. A não ser que alguém respire ou tussa para cima da máscara e esteja contaminado não há possibilidade de acumulação de vírus. As máscaras não são reutilizáveis. Devem ser deitadas foras depois de usadas.


MH - Existem grupos de risco que deverão ter maiores cuidados? Quais?

RFO - Sim existem. Os estudos mostram que na população idosa, na patologia respiratória e em doenças crónicas com diminuição das defesas do corpo, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão, entre outras, a taxa de mortalidade aumenta consideravelmente.


MH - Este vírus mata mesmo ou morre-se de outro tipo de complicações que este vírus possa trazer?

RFO - Morre-se sobretudo das complicações provocadas pela evolução da doença deste vírus.


MH - Acha que estamos preparados para uma epidemia?

RFO - A história recente mostra que Portugal tem estado à altura do desafio nas epidemias, pelo que acho que desta vez não será excepção. Apesar de imprevisível, já mostramos anteriormente que temos pessoal médico e de enfermagem de elevada competência. Estamos confiantes e optimistas.


MH -Acha importante encerrarem-se, preventivamente, escolas; cancelar eventos desportivos, etc?

RFO - Caso seja necessária uma contenção epidémica será importante agir preventivamente, e essa, por mais desagradável que possa ser, pode muito bem ser uma das soluções que poderá ser tomada localmente ou a nível nacional.


MH - Com a chegada da Primavera e, depois, do Verão, o vírus autoextingue-se ou vamos assistir a pessoas na praia de máscara?

RFO – (Risos) Quem sabe até não vira moda! O Vírus não se extinguirá, e já faz parte do rol de vírus que afectam o ser humano como por exemplo o Influenza, entre outros. Mas as condições ótimas de infecção diminuem pelo que acredito que o número de casos diminua nessa altura, acreditando que, entretanto, surgirá uma vacina, que tornará “normal” o Covid19.


30 Questões Rápidas

1. Uma cor 
Azul


2. Um clube
Dou 2, o FCP e o Sporting Club Vasco da Gama;

3. Um jogador
Michael Jordan;

4. Um desporto
Basquetebol;

5. Um partido
Não posso dizer que seja um “fanatista” ou “clubista” partidário. Aprecio opiniões diversas e penso pela minha própria cabeça, portanto claro que tenho consciência política e bem definida, que se vem traduzindo, na generalidade, na social-democracia;

6. Um político
Francisco Sá Carneiro;

7. Uma causa
Erradicação da fome;

8. Um credo
Sou Cristão, Católico, Apostólico, Romano, praticante...

9. Um género musical
Sou bastante eclético;

10. Uma música
Tantas, tantas, talvez duas especiais, a Breath dos Pearl Jam e a Sexual Healing do Marvin Gaye;

11. Uma banda
U2;

12. Um intérprete
Ray Charles, incomparável;

13. Um filme
Confesso ... sou cinéfilo... consumo tudo (risos). Dos últimos que vi, escolho o Joker;

14. Um cineasta
Quentin Tarantino;

15. Um actor
Escolho um que tem tido uma carreira interessante, mas, que na minha opinião, não tem sido devidamente reconhecido – Leonardo Dicaprio;

16. Uma actriz
Merryl Streep, também incomparável nos seus papéis;

17. Uma série
Game of Thrones, foi a que mais me prendeu nos últimos tempos;

18. Um livro
Confesso, nos bocadinhos que arranjo, passo a vida a ler. Neste momento estou a ler um livro de física quântica e medicina...;

19. Um jornal
MaiaHoje, um exemplo;

20. Um jornalista
Pelo que conheço, Artur Bacelar, sem dúvida;

21. Um canal televisivo
Maiahoje TV, um projecto com futuro;

22. Um prato
Sou bom garfo... tudo;

23. Um doce
mantenho o registo;

24. Sushi?
Claro, sempre que posso;

25. Um vinho
Preferencialmente tinto, talvez um Escultor de 2016 não estaria mau;

26. Um Whisky
James Martin’s, 30 anos;

27. Um automóvel
Mercedes;

28. Um dia bem passado
Sempre na companhia da família;

29. Uma semana de férias no inverno
Na neve (qualquer lado serve);

30. Uma semana de férias no verão
Praia (com bom tempo, qualquer lado serve).



10-Mar-2020 às 19:20, Ana Sofia Silva

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