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Uns heróis que toda a gente conhece, mas ninguém vê!

Uns heróis que toda a gente conhece, mas ninguém vê!

Opinião do médico Ricardo Filipe Oliveira.

Vivemos tempos interessantes. De um momento para o outro acordamos e somos confrontados com uma nova realidade. Os pessimistas apontaram esta pandemia como o início da grande desgraça de todos, enquanto os optimistas apontaram a COVID 19 como apenas uma “gripezinha”.

Concorde-se ou não com a atitude de quem nos governa, a verdade é que o SNS ficou aquém da sua saturação. Assim, podemos concluir que quer as entidades governamentais, quer a Saúde Pública souberam em conjunto e individualmente dar as orientações correctas e adequadas ao contexto que vivemos.

No entanto, neste conto da cigarra, muitos se têm esquecido de valorizar as verdadeiras formiguinhas da linha da frente.

Os colegas que me perdoem, sobretudo os hospitalares, particularmente os da Medicina Interna, mas a verdade é que quem tem mantido um trabalho imenso, silencioso, de vigilância, de prevenção, de tratamento da doença aguda e mesmo seguimento das patologias dos grupos vulneráveis e de risco, como os hipertensos, diabéticos, gravidas, crianças, entre tantos outros foram os especialistas em Medicina Geral e Familiar, ou seja, o seu Médico de Família!

Não falo daqueles que, como tão sabiamente os ditos populares caracterizam como “ratos de porão”, se esconderam atras das suas próprias vulnerabilidades arranjando desculpas e sobrecarregando os colegas... mas há disso em todas as áreas... e mais uma vez, perante situações limite assistimos ao emancipar das verdadeiras vocações, ao emancipar dos verdadeiros heróis, ao emancipar daqueles que queremos contar quando precisarmos de contar.

A Medicina Geral e Familiar soma o trabalho de vigilância, anteriormente entregue à saúde pública, às consultas normais. Somou contactos com novos programas informáticos. Somou mais contactos telefónicos. Somou mais consultas dedicadas à COVID. Aquilo que já era complicado fazer normalmente, tornou-se nalguns casos sobrehumano, mas mesmo assim mantém-se estoicamente presos à sua vocação e ao seu gosto de nunca deixar o seu doente e a sua família desamparados, pois afinal são isso mesmo, o seu primeiro e muitas vezes dos poucos recursos que têm.

Pena, mesmo muita pena... que tal não tenha sido devidamente reconhecido, devidamente valorizado...

Agora que sabemos quem são os heróis desta linha de frente, que nunca abandonaram a luta, e que se mantêm a segurar toda estrutura, seria importante ouvirem o que têm a dizer... Ainda por cima... julgo que têm tanto para dizer.

Pessoalmente, agradeço a todos e cada um dos que sempre me souberam compreender... que me permitiram manter o meu forte intacto e continuar a prestar cuidados de proximidade. Que me compreendem quando estou perto do limite e nessa altura me dão a mão... que me tratam como um herói, quando afinal apenas faço o que gosto, e pela qual julgo ter vocação...

Mas lembre-se ... ainda não acabou... por isso mais vale saber que existem estes heróis que toda a gente conhece, mas ninguém vê!

  

Médico;

 Doc. Universitário UP;

Lic Neurof. UP;

Mestre Eng. Biomédica FEUP,

Med.ricardofilipeoliveira@gmail.com

Www.ricardofilipeoliveira.com

Não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

05-Jun-2020 às 10:54, Ana Sofia Silva

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