Descubra mais sobre a Meteorologia na Maia

Tel: 22 406 21 26 | Email: geral@maiahoje.pt



A inteligência que julgamos ter

A inteligência que julgamos ter

Opinião de Miguel Correia.

Muitos descobriram, graças ao acidente ferroviário de Soure, que os comboios estão equipados com sistemas de segurança e, mesmo assim, registam-se falhas humanas. Os serviços noticiosos recorreram à sabedoria de alguns especialistas que, com calma e paciência, conseguiram elucidar os que sempre afirmaram que, para conduzir um veículo ferroviário, basta empurrar uma alavanca para trás e para a frente. Afinal existem normas e procedimentos que devem ser cumpridos à risca. O mesmo se passa com a sinistralidade automóvel: há condutores que ignoram (ou desconhecem) o código e principalmente a viatura que conduzem. Mais cedo ou mais tarde, a história acaba num cemitério, com muita gente vestida de preto. Enquanto escrevo esta crónica recebo indicação de outro acidente: uma carrinha de mercadorias foi colhida por um comboio depois de ignorar a sinalização da passagem de nível. Todas as acções de sensibilização são insuficientes para combater o flagelo da pressa e puro facilitismo. O complexo de superioridade (só acontece aos outros) é algo que está enraizado na nossa sociedade e, sinceramente, tanto me entristece…

Voltando ao tema da ferrovia – até porque, pela minha experiência, acho que percebo alguma coisa – preocupa-me o aumento do número de passageiros que, pura e simplesmente, não se esforça para perceber as regras do transporte que utilizam diariamente. O exemplo dos aviões: só quando estiver a cair é que vão pegar no folheto para saber o que fazer…. Ao passageiro apenas se exige que saiba comprar bilhete e, mesmo assim, alguns fazem questão de não aprender! É o fenómeno da nova corrente social dos pobrezinhos: não se pode corrigir ou chamar a atenção sob pena de levar uma bela reclamação! Resta a sapiência das redes sociais. É lá que se dissipam dúvidas (erradamente, escusado será dizer). Principalmente, quando os esclarecimentos são dados por indivíduos que pouco ou nada percebem, mas fazem questão de enganar os outros. Demasiada liberdade de expressão aliada a um grau de ignorância fortuito leva-me a admitir que, afinal, não temos a inteligência que julgámos ter…

13-Aug-2020 às 10:07, Ana Sofia Silva

Escreva um comentário