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«Queremos crescer e tornar-nos numa referência nacional»

«Queremos crescer e tornar-nos numa referência nacional»

Boavista forma “campeões” na Escola de Pedrouços.

A antiga Secção de Esgrima do Boavista FC, desaparecida nos tempos idos do “Apito Dourado” e toda a convulsão e crise pela qual o clube passou, estava extinta, mas graças à vontade da nova direcção, renasce agora, com nova vitalidade, tendo como base a freguesia de Pedrouços.

Nuno Moreira é o director da secção e está, juntamente com a ex-atleta indonésia, Dessyana Koeswandi, agora treinadora, desde finais de 2018, início de 2019. Oportunidade para uma pequena entrevista com ambos sobre a modalidade e o clube.

MAIAHOJE: O Boavista já tem alguma tradição nesta modalidade?

NUNO MOREIRA: Sim, o Boavista tinha muita tradição, e efetivamente acabou. Aliás, não sei se sabe, mas na esgrima há três armas, ou três modalidades, que são a Espada, Florete e Sabre. Habitualmente o Boavista competia em Espada e Florete, tendo actualmente optado mais pelo Sabre, uma vertente da modalidade que tem relativamente pouca expressão em Portugal. Há poucos clubes a praticar esta vertente, quanto a mim, a mais bonita das três vertentes.

MH: A modalidade veio para à Maia porque e como?

NM: Nos finais de 2018 e início de 2019, fui convidado a ajudar e divulgar a modalidade que, desde a reactivação, tinha cerca de dois anos no clube. Faltava-nos muita coisa, é uma modalidade que necessita de muito material e condições particulares para a prática. Com esse convite, pediram-me para tentar ajudar a criar as melhores condições, quer para a Dessy treinar, quer para os nossos atletas. Desenvolvi contactos e surgiu esta oportunidade em Pedrouços onde já havia uma equipa, que ia acabar, com alguns atletas e material. Juntamo-nos e formámos uma equipa que actua com as cores do Boavista. Estabelecemos um protocolo com a escola de Pedrouços, para continuarmos a desenvolver a modalidade na Maia, onde tínhamos melhores condições de treino, podíamos garantir que realmente podíamos criar condições para que os atletas desenvolvessem e conseguissem atingir os seus objetivos. Para uma equipa nova que se está a implementar e a criar toda uma série de rotinas, foi muito bom termos conseguidos alguns resultados.

MH: Em termos de futuro, o que devemos esperar desta equipa ou quais são objetivos a curto prazo e os objetivos mais alargados?

NM: Costumo dizer que tenho a mania de sonhar alto e começo logo a criar muitas expectativas, nomeadamente quando nós conseguimos, numa primeira época, o terceiro lugar numa prova em Espanha. Além deste feito, ainda conseguimos o terceiro lugar numa prova de Cadetes, dois primeiros lugares em provas Femininas, Juniores e Cadetes. Nas provas distritais, com os mais pequenos, não tínhamos muita concorrência e Sabre é uma vertente que não tem muita gente.
Os nossos objetivos são chegar ainda mais longe. Temos dois atletas, com grande potencial, temos mais duas atletas que estão em fase de crescimento, uma conseguiu o quinto lugar numa prova nacional, com potencial para atingir um pódio, estamos a planear, nesta época, abrir mais uma turma. Temos mais visibilidade, o que é muito importante e se tudo correr bem, vamos ter duas turmas, sendo uma em Pedrouços e outra no Boavista. Queremos crescer e tornar-nos numa referência nacional e temos que batalhar para isso.

MH: Existe o sonho Olímpico? Acha que será possível realizar esse sonho dentro de quanto tempo?

NM: Sim, ele existe, na verdade existem muitos projetos, entre mim e a Dessy. O projeto é a longo prazo e o objetivo de lutar por um lugar nos Jogos Olímpicos será numa média de doze anos.

Gostava muito de desenvolver um projeto para criar uma espécie de núcleo de seleção nacional de Sabre, na zona Norte, deixarmos de ter tudo tão centralizado em Lisboa, mas como a esgrima exige muito material, todas as provas são realizadas em Lisboa, onde a federação tem o material, nomeadamente as pistas de 17 metros.

O nosso projeto passa também por isso, tornarmo-nos num núcleo da seleção nacional, na vertente Sabre, o que vai permitir, mesmo para as outras armas, terem material disponível aqui no Norte para praticar e realizar provas, minitorneios, seja o que for. Vai ser fantástico poder desenvolver e divulgar todo este desporto, que é muito pouco conhecido no nosso pais  e que muitos poucos sabem que, há uns anos, tivemos atletas olímpicos, que ganharam medalhas Olímpicas.

MH: Dessyana, qual a sua ligação com a modalidade e como chega a Portugal?

DESSYANA KOESWANDI: Fui atleta da selecção nacional da Indonésia e como tal tive um percurso internacional. Chego a Portugal porque casei com um Português, que é treinador de Canoagem em Vila do Conde, onde nós moramos, e hoje vivo aqui com o meu marido.

A minha especialidade é o Sabre, por isso é que no Boavista começamos a dar aulas de Sabre. A minha primeira modalidade era Florete, mas no ano de 2001, permitiram que as mulheres pudessem participar em Sabre, até então apenas permitido aos homens. Comecei a dar aulas em clubes e no exército militar com a minha mãe, por que a minha mãe também foi atleta. Fiz o curso internacional, na Hungria, onde conheci o meu marido, e por causa disso estou hoje em Portugal a treinar Sabre no Boavista.

O meu marido e o diretor do Departamento das Modalidades Amadoras, foram a um seminário de desporto, conheceram-se e surgiu a ideia de começar de novo a modalidade de Esgrima. O meu marido indicou-me como treinadora e foi assim que comecei a treinar no Boavista.

MH: O que achou das condições no Boavista? E qual o futuro do Sabre?

DK: O clube tem boas condições, ótimas pessoas e bons atletas. Como a Esgrima, e mais particularmente o Sabre, são algo novo no Boavista, começamos apenas com um atleta. Acho a modalidade muito interessante e espero que passe a ter um maior reconhecimento e criar futuros campeões.

Estamos no bom caminho, vamos melhorando cada vez mais, os alunos estão a aprender, estão a evoluir, todos estão a crescer com o clube. Deve ser destacado que, aqui no Norte, o Boavista, é o único clube que possui a modalidade de Sabre, os outros clubes só possuem o Florete e Espada. Os nossos atletas trabalham muito, durante a pandemia não nos podíamos encontrar, mas fazíamos sempre treinos online. Trabalhamos dois dias por semana, mas agora são quatro dias, de uma hora e meia até duas horas.

MH: O Boavista, neste caso a modalidade, tem preocupações com as notas dos mais novos e do seu crescimento escolar?

NM: Sim temos. Para já é relativamente fácil estar a par dessas situações, porque somos um grupo relativamente pequeno e temos a enorme vantagem e prazer de trabalhar com pais disponíveis. No seguimento dessa preocupação, tentamos desenvolver com a escola, a título de exemplo, temos um atleta, que é também atleta do desporto escolar, exatamente porque assim dá mais condições para ele praticar na escola e de ter mais atenção para as aulas. Queremos campeões, como é obvio, mas também é importante o futuro dos miúdos a nível escolar, e tentamos sempre enquadrar aquilo que são os resultados escolares com os resultados desportivos.

Treinadora Dessyana com os alunos.

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