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COVID e o Plano de Vacinação

COVID e o Plano de Vacinação

Em Dezembro, o Governo apresentou um plano sobre as prioridades de quem seria vacinado, supostamente, seguindo as orientações técnicas dos especialistas. Concorde-se ou não, com essas prioridades, quem de nós não gostaria de estar na prioridade número 2? Mas eram esses os critérios e deveriam ser esses os seguidos, porque mais do que ninguém esses técnicos conhecem as especificidades das vacinas e como as mesmas nesses grupos poderiam ajudar na tão almejada imunidade de grupo

Entretanto, há uns dias seguiu-se um novo critério de prioridade, os órgãos de soberania. Se bem que sou a favor que se vacine alguns dos órgãos de soberania como o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, o Presidente da Assembleia da República e alguns Ministros chave, sou completamente contra a vacinação de Deputados. Vacinar Deputados? Deputados com vinte e trinta e poucos anos a serem considerados prioritários? Porquê? O órgão de soberania é a Assembleia da República, não os Deputados. Ou será que se esses mesmos Deputados forem convidados para irem para o Governo, como tantas vezes acontece aquando as remodelações, vão recusar porque são imprescindíveis? Não nos podemos esquecer que qualquer partido concorre com uma lista de X candidatos por distrito, candidatos esses em número sempre superior aos que entram para a AR, ou seja, há sempre quem substitua um Deputado que possa adoecer.

Seguem-se os “escândalos” diários, com directores de segurança social, padres, filha e mulher de directores hospitalares, funcionários de pastelarias etc a serem vacinados, só porque as mesmas sobraram.

Isto é colocar tudo em causa, e usar desculpas para o que não é desculpável. Quando temos ainda centenas de médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, auxiliares, empregadas de limpeza hospitalares, bombeiros, etc, que por falta de stock ainda não foram vacinados, vemos meia dúzia a acharem que não faz mal tomarem as decisões com o que não é deles, mas do erário público e a colocarem em causa a seriedade de tantos que estão na organização da vacinação.

Esperemos que nos casos de prevaricação, o Ministério Público actue e rapidamente, e nos outros casos, que no mínimo ganhem vergonha.

Necessitamos de seriedade e transparência neste processo, para que não existam nem cidadãos de 1º nem de 2º e que quem realmente seja prioritário e decidido pelos técnicos seja vacinado.

Fiquem em casa e protejam-se.

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