Festa do título de volta ao Dragão
Na passada noite, o ambiente no Estádio do Dragão não foi apenas de futebol, foi de uma eletricidade quase palpável, um acumular de quatro anos de ansiedade que se esbateu sob o céu da cidade do Porto, com especial destaque no Estádio do Dragão.
Antes do jogo, à medida que os minutos finais passavam, os telemóveis nas bancadas iluminavam-se com as notícias vindas de Famalicão. O empate do eterno rival era a contribuição matemática, mas a alma portista já se sentia campeã muito antes. O apito final e confirmação da perda de pontos do Benfica, foi o sinal para a invasão, não do campo, mas de uma alegria que transbordou para as ruas da Invicta.
Mas foi no relvado do Dragão, perante um Alverca resiliente, mas incapaz de suster o destino, que o FC Porto carimbou uma das conquistas mais simbólicas da sua centenária história.
Desde o primeiro minuto, o FC Porto entrou em campo com a postura de quem não queria deixar o título por mãos alheias. A circulação de bola foi fluida, paciente, mas carregada de intenção. O Alverca, organizado defensivamente, tentou fechar os caminhos para a baliza, mas a pressão alta dos “dragões” asfixiou qualquer tentativa de contra-ataque.
O primeiro golo surgiu numa jogada que exemplifica a época azul e branca: um canto magistralmente batido por Gabri Veiga, tenso, e uma finalização clínica de Bednarek, a subir mais alto que toda a defesa contrária, a cabecear para a vantagem, quando iam decorridos 41 minutos de jogo.

O estádio explodiu. A partir daí, o jogo tornou-se uma celebração antecipada. O Porto controlou o ritmo, gerindo o esforço e a posse de bola, enquanto as bancadas se transformavam num mar de cânticos e bandeiras. Cada toque na bola era acompanhado com alegria esfusiante, em contraste com a euforia contida nos últimos quatro anos.
A vitória da noite passada tem um peso que transcende o troféu imediato. Ao sagrar-se campeão, o FC Porto atingiu uma marca estatística que deixará historiadores e analistas ocupados durante décadas: neste século, o clube supera agora o número de vitórias totais dos seus dois maiores rivais, Benfica e Sporting, somados (13 contra 12) e iguala a soma de todos depois de lhe juntar o primeiro da série obtido pelo Boavista em 2000/2001, em termos de títulos acumulados nesta métrica específica de domínio. É um dado que ilustra a hegemonia das últimas décadas e a capacidade de recuperação de um clube que, após um jejum de quatro anos, regressa ao topo com uma força renovada.
Para os adeptos, este hiato pareceu uma eternidade, a juntar à perda do “Presidente dos Presidentes”, que ocupou o lugar durante 42 anos. A chegada ao lugar do antigo treinador, André Villas-Boas, também ele 100% vitorioso na época em que dirigiu o clube, depois de um primeiro ano de adaptação, serviu para reestruturar, para lançar novos talentos e para solidificar uma filosofia de jogo que privilegia a raça, mas também a inteligência tática. Este título é a recompensa de uma resiliência férrea.
No relvado, as lágrimas de alguns jogadores mais veteranos misturavam-se com o sorriso incrédulo dos mais jovens. É o culminar de uma caminhada onde a consistência foi a palavra de ordem. Enquanto os rivais oscilavam, o Porto manteve o foco, transformando cada dificuldade numa oportunidade de crescimento.
As luzes do estádio focaram-se no centro do terreno. Foi um título conquistado com suor, mas também com uma qualidade técnica acima da média, provando que o ADN do clube voltou, e quiçá está mais vivo que nunca, através de um jovem treinador, Farioli, que aparentemente compreendeu e encaixou como uma luva na estrutura portista, e a prova disso são as lágrimas que deixou escapar quando final do jogo a bandeira iluminada de Jorge Costa desceu ao relvado, como prova inequívoca da sua adesão à causa portista.
O FC Porto é, de novo, o dono do trono. E fê-lo com uma autoridade que silencia críticas. Apesar da enorme rivalidade, tem vindo a ser reconhecido e parabenizado pelos principais adversários. Estabelece um novo padrão de comparação no futebol português. A noite foi longa no exterior do estádio, onde foi montado um palco para que jogadores e equipa técnica pudesse festejar com os seus adeptos mais esta vitória de azul e branco vestida, apesar dos atrasos na montagem do cenário e depois num corte de energia que estendeu a festa até às 2:30h da manhã.

































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