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Leça FC vence Campeonato de Portugal na final do Jamor

Leça FC vence Campeonato de Portugal na final do Jamor

O Estádio Nacional engalanou-se para receber a grande final do Campeonato de Portugal, colocando frente a frente dois emblemas que carimbaram com total mérito o passaporte para a Liga 3, mas que não abdicavam de coroar a temporada com o título de Campeão Nacional.

Duas Histórias Escritas com Ambição

O confronto deste dia de Camões trouxe ao mítico relvado do Jamor duas realidades apaixonantes do futebol português.

  • Leça FC: O histórico emblema de Leça da Palmeira transportou consigo o peso e a glória de um passado que inclui várias épocas no principal escalão do futebol português na década de 90. Após anos de reestruturação e de luta nos palcos secundários, o clube nortenho demonstrou que a sua mística continua bem viva, impulsionada por uma massa adepta fervorosa que, apesar das enormes dificuldades, nunca o deixou caminhar sozinho.
  • GD Vitória de Sernache: Representando orgulhosamente a Beira Baixa e a vila de Cernache do Bonjardim, o Vitória de Sernache é o exemplo perfeito da vitalidade do futebol do interior. Fundado em 1948, o clube tem cimentado a sua posição no panorama nacional à força de uma enorme estabilidade associativa e de uma ligação umbilical à sua comunidade, provando que a dimensão geográfica não limita a ambição.

A Caminhada Imaculada Até à Final

Para pisar o relvado do Estádio Nacional, ambas as equipas tiveram de superar uma exigente e renhida Fase de Subida, onde demonstraram uma regularidade impressionante:

A Afirmação Leceira: Integrado na Série A da fase de promoção, o Leça FC dominou as contas com enorme categoria. Superiorizou-se à concorrência apesar de na primeira fase ter ficado em segundo na série B, com 51 pontos, atrás do Rebordosa com 58. Mas na segunda fase disputada com Bragança e Vianense da Série A, logrou ficar em primeiro com 13 pontos seguido do Vianense com 9, após, no último jogo, vencer em casa por 1-0 o Bragança, que se vencesse podia ficar no seu lugar. O golo da vitória foi obtido por Carlos Avelino, com um monumental tiro do meio da rua

A Fortaleza da Beira Baixa: Na Série B, o Vitória de Sernache rubricou uma campanha notável. Num grupo de parada muito alta soube gerir as emoções e carimbou o primeiro lugar da série com 12 pontos, celebrando a ida ao Jamor na jornada final após um empate estratégico (1-1) na receção ao Louletano, que garantiu a festa total em Cernache do Bonjardim.

Assim, Leça FC e GD Vitória Sernache ganharam o direito a serem os finalistas da edição de 2025-26 do Campeonato de Portugal, em Estádio Nacional, no Jamor.

A ajuizar os lances estiveram como árbitro João Matos, com os assistentes: João Mota e Rui Fernandes e a 4.ª árbitro Paulo Raposo. No VAR estava Bruno Rebocho, apoiado pelos AVAR`s Fábio Monteiro e Pedro Vilaça.

As equipas alinharam:

Mika, treinador do Leça FC, fez alinhar Miguel Paiva na baliza, seguido de Diogo Ribeiro, Fábio Baldé, Diogo Nunes, André Coutinho, Carlos Avelino, Bernardo que saiu lesionado aos 36 minutos entrando Mica, Nuno Pereira, Nicolas Reis, David Nzanza e Bernardo Mesquita.

Por sua vez o treinador do GD Sernache, Natan Costa, fez alinhar João Lucas na baliza, Juan Muriel, Kevin Ibouka, Miguel Rosário, André Guedes, Edgar Moura, Diego Tavares, Roberto Embaló, Mauro Santos, André Dias e Henrique.

O jogo começou com pendor ofensivo do Leça FC que se manteve ao longo da primeira parte, sem, contudo, usufruir de evidentes oportunidades, o que também não acontecia por parte do Vitória de Sernache. Apesar da forma rápida como os beirões tentavam o contra-ataque a defesa leceira, sempre atenta, impedia as suas veleidades.

O jogo foi-se desenrolando com mais posse dos leceiros, e foi já no tempo de descontos da primeira parte que, num rápido contra-ataque, o Leça FC se adiantou no marcador. Após uma tentativa de remate de Bernardo Mesquita, que impedido pelo defesa não aconteceu, mas que permitiu deixar a bola solta para aparecer David Nzanza, fulgurante a colocar a redondinha nas redes.

Na etapa complementar, esperava-se um Vitória de Sernache à procura do empate, mas os primeiros minutos voltaram a ser jogados maioritariamente no seu meio-campo, até que aos 70, um cruzamento de cabeça de Henrique pôs a bola à disposição de Ekanga Ondoa que surgiu nas costas dos defesas e rematou sem hipóteses para Miguel Paiva.

Os minutos seguintes foram inteiramente da equipa beirã a aproveitar algum desnorte da equipa que… veio do Norte, momentos em que criou algum perigo e até se podia ter adiantado no marcador.

Aos 86 minutos Noah Santos agarrou a bola à saída da sua área correu o campo todo, rematou cruzado, mas a bola saiu ao lado, desperdiçando assim uma oportunidade de voltar a pôr o Leça em vantagem. A partir daí o pendor ofensivo voltou a ser dos leceiros, mas o resultado não se alterou até ao final do tempo regulamentar.

Após o período de descanso as equipas entraram decididas a fazer tudo por levarem de vencida o adversário. Foi o Vitória quem surgiu, mas afoito, mas foi sol de pouca dura com o Leça a voltar a impor-se na posse, e a jogar no meio-campo adversário criando alguns momentos de suspense, mas sem oportunidades evidentes.

Na segunda parte do prolongamento era o tudo ou nada para ambas as equipas ficando depois sujeitas à lotaria das grandes penalidades.

Foi novamente o Sernache a surgir mais empenhado e logo no primeiro lance beneficiou de um livre perigoso à entrada da área, contudo o forte remate foi travado pela consistente barreira do Leça.

Só que rapidamente os leceiros voltaram a tomar conta do jogo e quase marcavam aos 113 minutos numa arrancada e remate de Martim Fortes. Pouco depois no seguimento de um canto surgiu Zé Domingos a rematar, forte, mas por cima da baliza, terminando o prolongamento com um empate a uma bola, que ditou a decisão por grandes penalidades.

Pode-se dizer que o Leça foi mais equipa, mas não foi capaz de desfazer a coesão e resiliência da equipa beirã, pelo menos que que ao resultado diz respeito, motivo pelo qual aceita o empate no final do jogo.

Nós penalties, na primeira série de 5 manteve-se o equilíbrio. Começou primeiro o Leça que chegou a estar em vantagem quando Roberto Embaló, à terceira tentativa pelo Sernache não logrou marcar, só que ao fechar a série foi a vez do Leça também falhar por Zé Domingos. Nesta série marcaram pelo Leça, respetivamente Fábio Baldé, Nuno Pereira, Carlos Avelino, e Diogo Ribeiro, enquanto pelo Sernache, fizeram mexer as redes Bruno Paula, João Pistelli, André Guedes, e Ekanga Ondoa.

Entrando na série a eliminar, logo na primeira tentativa o Leça concluiu com êxito por Martim Fortes, mas pelo Sernache, Henrique, encontrou pela frente uma muralha de nome Miguel Paiva que adivinhou o lado e defendeu com segurança o direito ao título de Campeões do Campeonato de Portugal pelo Leça FC.

O momento em que Miguel Paiva vai ao encontro da bola para segurar a vitória

Foi a explosão Verde e Branca

O estádio do Jamor transformou-se num mar verde e branco. Os jogadores do Leça FC caíram relvado fora, num misto de exaustão e pura euforia, correndo de imediato para junto da bancada onde os milhares de adeptos leceiros criaram uma moldura humana inesquecível para a dimensão do pequeno/grande que já andou na primeira liga. O momento em que o capitão ergueu o troféu aos céus foi o prémio justo para uma estrutura que planeou esta época ao detalhe. Entre cânticos de “O meu Leça é Verde e Branco, e eu sou Leça até morrer”, a festa que começou no relvado estendeu-se no parque do Jamor e pela viagem na autoestrada, celebrando um título nacional que faz justiça à grandeza histórica do clube.

O capítulo final joga-se hoje, pelas 18h, na receção da equipa na Câmara Municipal de Matosinhos para celebrar com os adeptos a conquista do título nacional.

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